A possibilidade foi trabalhada em um estudo encomendado pela empresa que avalia abrigar novos investimentos para o desenvolvimento da capital, previsto para ser divulgado em um evento nesta quinta-feira (23/07).
As indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) poderão se beneficiar com a construção de uma nova estrutura logística no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, segundo o CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, Kleyton Mendes.
A possibilidade foi trabalhada em um estudo encomendado pela empresa que avalia abrigar novos investimentos para o desenvolvimento da capital, previsto para ser divulgado em um evento nesta quinta-feira.
“A questão da indústria surgiu do meio para o fim do estudo, ela não fazia parte do nosso prospecto. A gente começou a ver as notícias e integrou a parte final do estudo. A gente foi até a Suframa e perguntou se o aeroporto seria uma opção dentro disso, para compor o estudo. A Suframa disse que sim, faria sentido pela proximidade para certas indústrias que tem relação com a logística aeroportuária”, disse.
A possibilidade de utilizar as áreas livres do entorno do Aeroporto de Manaus no segmento industrial surgiram em meio à falta de terras disponíveis para instalação de novas empresas na Zona Franca de Manaus (ZFM), especialmente após a consolidação da reforma tributária em 2032, ano em que somente o polo industrial poderá conceder benefícios fiscais.
CONDOMÍNIO LOGÍSTICO
Segundo o estudo, o setor poderia ser beneficiado com a construção de galpões logísticos no território do espaço gerido atualmente pelo grupo Vinci Airports, integrando o modal diretamente às fábricas e acelerando os procedimentos de entrega de itens. O documento apontou a necessidade e detectou uma área de até 10 mil metros quadrados para a construção de um condomínio logístico.
“A gente não estuda especificamente que tipo de indústria, se vai ser indústria de microprocessadores, duas rodas, a gente não chega a esse nível. O que entendemos é: há demanda para galpões logísticos? A conclusão profunda é que sim. Quando eu falo de galpão logístico é de entrega, delivery, recebimento de carga, de indústria. A gente está buscando entender o que vem depois”, ressaltou Kleyton Mendes.
O CEO ressaltou ainda que as negociações deverão ocorrer diretamente com os investidores, já que a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) possui um modelo de desenvolvimento e método próprio de captação de empresas, que ocorre com a aprovação de projetos em seu conselho administrativo. O fato de as negociações ocorrerem diretamente entre a concessionária e as empresas já havia sido adiantada pelo superintendente Leopoldo Montenegro no dia 9 de junho.
“Trata-se de uma alternativa que pode contribuir para ampliar as possibilidades de instalação de novos empreendimentos, fortalecendo o ambiente de negócios e criando condições favoráveis para a geração e emprego, renda e desenvolvimento econômico no Amazonas. Como a área não integra o patrimônio administrado pela autarquia, eventuais tratativas ocorrem diretamente entre a concessionária e os investidores interessados”, disse, à época.
Kleyton Mendes estima que, após o lançamento oficial do estudo, a Manaus Airport conseguirá entender “o apetite desses investidores para o desenvolvimento do ponto de vista industrial dentro do nosso terreno”. O evento de lançamento ocorrerá nesta quinta, às 17h, na Sala de Embarque R1 do terminal e buscará reunir autoridades, empresários, investidores e representantes de diversos setores para apresentar a visão estratégica do aeroporto e seu papel no desenvolvimento regional.
Secretarias foram ouvidas
Questionado se já havia tratativas com a Prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas para tratar da possibilidade de novos empreendimentos, o CEO informou que as duas administrações estão convidados a participar e que fizeram parte do estudo por meio das secretarias de meio ambiente de planejamento urbano, que foram ouvidos pela concessionária para a construção do documento.
“Agora a gente vai para o processo formal, tudo vai ser conduzido de forma oficial perante os órgãos. Você perguntou da parte de trânsito, tem o Estudo de Impacto de Vizinhança. Aqui entram os estudos de estruturação de trânsito, rodovias, vias que capilarizam os bairros. Isso vai compor o processo. Quem vai formalizar são os investidores, a gente vai estar entregando essa área”, frisou.
Kleyton Mendes explicou que o terreno onde está localizado o aeroporto continua sendo de posse da União, mas que o contrato de concessão firmado com a Vinci Airports permite que contratos de desenvolvimento imobiliário possam ir além da própria concessão. Atualmente, há 75 pedidos de aeroportos brasileiros para desenvolver iniciativas comerciais imobiliárias, indo desde galpões logísticos a escolas, shoppings e hotéis.
Estudo aponta possibilidades
A Concessionária dos Aeroportos da Amazônia contratou uma empresa internacional para realizar um estudo de demanda e mercado principalmente para o entorno do aeroporto em termos de empreendimentos. A conclusão é de que o espaço poderá abrigar diversos tipos de negócios, incluindo shoppings, centros de convenções, redes de hotéis e postos de gasolina. Com a divulgação completa, a concessionária poderá buscar investidores.
“Será um momento para fortalecer o diálogo com os principais atores públicos e privados engajados no desenvolvimento regional. Iremos mostrar como o aeroporto pode atuar como uma plataforma de conexão para atração de investimentos, expansão da logística, estímulo ao turismo e geração de novos negócios”, disse Kleyton Mendes.
Área foi cogitada para fábricas
O entorno do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foi uma das opções que apareceram diante da Suframa em meio à busca por novas áreas para instalação de indústrias em Manaus. Há mais de 200 em processo de implantação no PIM. A região foi cogitada nos últimos meses, juntamente com a possibilidade de usar a região das rodovias AM-010 e BR-174 e a revisão do Plano Diretor de Manaus para uso de áreas dentro da própria capital.
Entrevistado pela reportagem em junho, o engenheiro de trânsito Manoel Paiva, que já foi diretor do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), avaliou que a área do entorno não supre 10% da necessidade das novas empresas e que é necessário procurar uma solução que fórmula de “resolver de forma emergencial”. Para ele, a questão da ocupação do polo industrial é algo muito decisivo “para nós simplificarmos com a área do aeroporto internacional”.
“É a mesma coisa quando a gente discute mobilidade. Vamos discutir só o transporte alternativo? Não, a gente tem que ter a coisa global. É o transporte da cidade, da região metropolitana, o transporte especial, hidroviário, de fretamento. Nós já pagamos um preço muito alto nos últimos tempos”, disse.
Fonte: Acrítica
