Por Rildo Silva – presidente do SINAEES – AM e membro da Comissão CIEAM – Centro da Indústria do Estado do Amazonas de ESG.
“A Amazônia conhece como poucos os efeitos da ausência de governança consistente. Por isso, também reúne condições únicas para contribuir com soluções. O Polo Industrial de Manaus, com sua base tecnológica e compromisso crescente com padrões internacionais, é parte ativa dessa construção”
Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica crescente, a agenda ESG atravessa um momento de tensão silenciosa. Conflitos armados, insegurança energética e disputas por recursos estratégicos recolocaram na mesa prioridades que muitos julgavam superadas. Em diversas economias, observa-se um reposicionamento corporativo que, na prática, relativiza compromissos ambientais e sociais diante de urgências imediatas.
Esse movimento não é trivial. Ele revela uma fragilidade estrutural na incorporação dos princípios ESG como eixo permanente de governança. Quando a pressão aumenta, parte do mercado recua. E é justamente nesse ponto que iniciativas consistentes fazem diferença.
Os dois primeiros fóruns já haviam estabelecido um padrão elevado de reflexão e articulação. Agora, o terceiro encontro se realiza sob circunstâncias ainda mais desafiadoras, o que amplia sua relevância. Manter o tema vivo, qualificado e conectado às decisões empresariais e públicas exige mais do que discurso. Exige mobilização contínua.
O Polo Industrial de Manaus, com sua base tecnológica e compromisso crescente com padrões internacionais, é parte ativa dessa construção. Sua capacidade de articulação, sua presença ativa e o acompanhamento permanente das pautas demonstram que não se trata de um esforço episódico. Há método, há estratégia e há compromisso de longo prazo.
Um elemento que merece destaque é a liderança feminina nesse processo. Em um momento em que o mundo assiste à persistência de conflitos e à dificuldade de superação de lógicas de poder baseadas na força, a emergência de lideranças femininas em espaços estratégicos não é um detalhe. É um sinal de mudança.
A possível indicação de Michelle Bachelet para a liderança das Nações Unidas, em meio a esse ambiente de instabilidade, dialoga com essa percepção global de que novos paradigmas de governança são necessários. A Amazônia, ao incorporar essa presença em sua agenda ESG, alinha-se a essa transição.
O Fórum, portanto, não apenas acompanha o debate internacional. Ele o tensiona. Ao insistir na centralidade da agenda ESG, mesmo diante de pressões contrárias, reforça a ideia de que sustentabilidade, responsabilidade social e governança não são acessórios de tempos estáveis. São fundamentos para atravessar períodos de crise.
A Amazônia conhece como poucos os efeitos da ausência de governança consistente. Por isso, também reúne condições únicas para contribuir com soluções. O Polo Industrial de Manaus, com sua base tecnológica e compromisso crescente com padrões internacionais, é parte ativa dessa construção.
Manter esse movimento aquecido não é uma escolha circunstancial. É uma necessidade estratégica. O III Fórum Amazônia de ESG reafirma que, mesmo em tempos de incerteza, há espaços que optam por avançar.
“E, neste caso, avançar é insistir”.
Fonte: BrasilAmazoniaAgora
